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Cesar Colnago e Sergio Majeski batem boca em prestação de contas


Como primeira tarefa durante os oito dias em que vai substituir Paulo Hartung (PMDB) no comando do Estado, o governador em exercício, César Colnago (PSDB), enfrentou os questionamentos dos deputados estaduais durante a prestação de contas do governo na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales). Ele é o primeiro vice-governador da história do Espírito Santo a substituir o chefe do Executivo na tarefa.

Por motivos de saúde, Hartung se licenciou do cargo para a realização do procedimento de imunoterapia, por recomendação médica. A ausência foi sentida pelos parlamentares, principalmente para os que integram a oposição ao peemedebista.

BATE BOCA

Um dos pontos de maior tensão durante a sessão foi quando o deputado estadual Sergio Majeski (PSDB) foi ao microfone para questionar o colega de partido sobre o Estado não estar fazendo o investimento mínimo de 25% na Educação, como determina a Constituição. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, move uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra o Estado e considera ilegal a soma das despesas com o pagamento de servidores inativos como investimento na pasta.

Na resposta, Colnago chegou a parabenizar o trabalho de Majeski no plenário e disse considerar importante o debate de ideias na Casa. Mas se irritou com a expressão facial do deputado, que teria ironizado o colega de partido durante seu discurso. Colnago dizia que o Estado já investe 27,9% do Orçamento na Educação, mas foi interrompido por Majeski, que retrucou que o montante não passa de 19,5%, descontado as aposentadorias.

"O senhor tá rindo por quê? Não venha com cara de deboche. O senhor me respeite. Quer dizer então que você quer sucatear os recursos das aposentadorias dos servidores da educação? Se você acha que pagar nossos aposentados não é investimento, ótimo, o STF vai julgar. Você faz um belo discurso, mas não é professor de Deus. Parece que mora na Assembleia, não sabe o que acontece lá fora. É preciso ter equilíbrio e bom senso, concordo em aumentar o investimento em educação, mas não se pode tirar dos aposentados. Você só quer pegar os casos negativos para fazer discurso político", bradou.

Majeski também criticou a ausência de Hartung e chamou a propaganda de governo de fantasiosa. Para o deputado, Colnago passou um "atestado de ignorância" ao defender que as aposentadorias dos servidores da educação sejam consideradas investimentos.

"Me espanta que o senhor ache normal o uso de impostos que deveriam ser destinados para os estudantes estejam indo para o pagamento de inativos, que tem que ser pagos com a contribuição que fazem quando estão trabalhando. O senhor é só vice, o importante seria ter o governador aqui que é quem toma as decisões. Você não é a pessoa adequada para esse debate", rebateu.

Outro que engrossou o tom contra o governador foi o deputado Euclério Sampaio (PDT). Ele levou ao plenário um suposto edital da licitação de R$ 60 milhões que seriam investidos para a construção de barragens. O pedetista acusou o secretário de Agricultura, Octaciano Neto, de ter vendido o contrato e apontou subjetividades que teriam sido incluídas para beneficiar empresas. Octaciano já disse publicamente que se filiaria ao PDT, mesmo partido de Euclério.

"É um contrato de gerenciamento das obras da barragem que já foi vendido para empreiteiras. Tanto o edital como o termo de referência já estão rodando na praça. Isso é crime. Acha correto a reunião de membros do governo com empresários em hotéis para tratar de direcionamento de contratos, como é o caso do Paulo Ruy (secretário de Transportes e Obras Públicas) e Octaciano Neto (secretário de Agricultura)", afirmou.

O governador em exercício aproveitou para falar sobre as citações de políticos aliados em delações de executivos da Odebrecht. De acordo com as delações do ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Júnior, Colnago e Hartung teriam recebido doações de campanha via caixa dois.

"Nosso secretário de Transparência está com vários casos de empresas sendo investigadas que são acusadas de fazer o mesmo procedimento que Vossa Excelência denuncia. Vamos investigar o que tiver veracidade. Caso Odebrecht é a delação de um monte de criminoso tentando salvar a pele e generalizando tudo para falar que todo mundo é safado, e não é. Delação não é condenação", disse Colnago, em resposta a Euclério.

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