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Em protesto contra corte de verbas, alunos da Ufes fazem faxinão


Como um ato de protesto contra a Emenda Constitucional n° 95, sancionada pelo presidente Michel Temer e que estabelece um teto nos gastos públicos, e o corte nos recursos da Universidade Federal do Espírito Santo, estudantes do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE) fizeram uma "faxinão" nos prédios dos cursos de economia, administração e serviço social, no campus de Goiabeiras, nesta quinta-feira (18).

O mutirão foi convocado pelos Centros Acadêmicos dos cursos do CCJE. Alunos limparam a grama, corredores e os banheiros dos prédios. O grupo relata que as medidas de contingenciamento do Governo Federal já afetam o funcionamento da Ufes. Todos os nove funcionários terceirizados do CCJE foram demitidos. A limpeza que antes era diária, agora passou a ser semanal, segundo os estudantes, acumulando lixo nas dependências do centro. O mau cheiro nos banheiros, de acordo com os estudantes, chega a incomodar.

"É um ato político, de protesto, para chamar a atenção para a situação crítica da Ufes. Com a aprovação da emenda e com o processo de desmonte da Universidade Pública, é visível a situação precária em relação ao lixo e a outros pontos que prejudicam a educação. Cobramos um posicionamento político do nosso reitor, que diferente de outros reitores, não tem se posicionado contra o desmonte da educação", critica Artur Andrade, estudante de Administração.

As despesas correntes da universidade tiveram, em 2017, um corte de 10,2% em relação ao ano passado. A redução dos valores destinados para investimentos foi ainda maior, de 25,6%.

A Secretaria de Comunicação da Ufes disse que, após a redução no repasse de verbas para as universidades federais por parte do Governo Federal, a Prefeitura Universitária revisou os contratos das empresas terceirizadas, incluindo a que presta serviços de limpeza. A instituição garante que vem tomando medidas de economia para manter os serviços da universidade.

Diretor do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE), o professor Rogério Naques Faleiros acompanhou o protesto e afirmou que a Universidade ?tem sofrido muito? com os contingenciamentos de recursos do Governo Federal.

?Os cortes maiores são nas rubricas de custeio, que é justamente o que mantém a Universidade: telefone, energia, água, limpezas, jardinagens, apoio administrativo. É uma ação inédita dos alunos para alertar a sociedade?, opina o professor.

Ufes

A Secretaria de Comunicação da Ufes informou que, após a redução no repasse de verbas para as universidades federais por parte do Governo Federal, a Prefeitura Universitária revisou os contratos das empresas terceirizadas. Por isso, houve uma readequação na metodologia de limpeza, levando-se em conta os horários de utilização das salas de aula e administrativas. Nos sanitário, entretanto, a rotina de duas passagens por dia foi mantida, garantiu a instituição.

Sobre as críticas da falta de posicionamento do reitor Reinaldo Centoducatte, a Secretaria disse que ele tem tentado levar ao MEC e ao Ministério do Planejamento sugestões de realocação de recursos a partir de estudos e projeções das pró-reitorias de Administração e de Planejamento. No entanto, por duas vezes, o MEC desmarcou as reuniões agendadas, segundo a secretaria. A Ufes afirmou que o Ministério não informou quando haverá outra oportunidade de reunião.

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