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Família descobre que jovem que estava desaparecido foi morto no Iema


A família de um jovem que estava desaparecido no Espírito Santo descobriu na última semana que o rapaz foi morto dentro da sede do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), em Cariacica, no dia 17 de abril.

Rafael Ferreira da Silva, 19 anos, tinha embarcado na Rodoviária de Vitória, com destino a São Paulo, no dia 16 de abril, mas desapareceu no mesmo dia após desembarcar na cidade de Iconha, onde teria sofrido um surto.

Um dia depois, ele foi morto por um vigilante no pátio do Iema após invadir o local vestido só de cueca. O fato só foi descoberto quase um mês depois, na última quinta-feira (11), pela família. O corpo foi enterrado nesta segunda-feira (15), em São Paulo, onde a mãe reside.

Rafael, natural de São Paulo, estava na casa de familiares em Cariacica, pois procurava emprego. Como não conseguiu trabalho, ele decidiu retornar para casa em São Paulo. As buscas pelo jovem começaram na mesma semana, quando a dona de casa Márcia Ferreira foi buscar o filho na rodoviária de São Paulo, na manhã do dia 17 de abril.

No dia, o motorista a informou que o jovem teria desembarcado com a mala. Dias depois, ela descobriu que o rapaz teria tido um surto e descido do coletivo na cidade de Iconha na noite de domingo (16), desde então ele não foi mais visto.

Márcia contou que, na última quinta-feira, o marido dela recebeu a ligação de um número restrito onde uma pessoa informou que Rafael havia sido assassinado dentro do pátio do Iema. ?O meu esposo só me disse que o meu filho estava na UTI e nós corremos para Cariacica. Quando chegamos no Espírito Santo ele me contou a verdade e nós fomos no Iema e na delegacia, e outro vigia me contou o que tinha acontecido?, disse.

A dona de casa ainda não entende os motivos do filho ter sido assassinado. ?Cheguei na delegacia e perguntei porque não entraram em contato com a família, mas não falaram nada. Eles estavam com todos os documentos dele. Meu filho não é ladrão, não é bandido. Ele não é nada. Ele é um cidadão de bem. Porque não atirou na perna e no braço, porque foi em lugar para matar? Achei uma injustiça. Eles não podem matar ninguém, ele estava desarmado, de cueca?, questiona.

O corpo de Rafael foi encaminhado para São Paulo no domingo (14) e o sepultamento aconteceu no Cemitério de Formosa na tarde da última segunda-feira (15).

O crime

Rafael Ferreira da Silva foi morto a tiros após invadir a área do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), em Jardim América, Cariacica , na manhã do dia 17 de abril. Ele estava vestindo apenas cueca e teria entrado em luta corporal com um vigilante, 52 anos, para tomar a arma dele, que atirou, segundo a polícia. O fato aconteceu por volta das 11 horas.

No dia do crime um porteiro de 49 anos, que trabalha em uma empresa de logística ao lado do Iema, relata que o homem chegou ao local e parecia estar desorientado. Segundo o porteiro, o homem vestia bermuda, camiseta e tênis. Em um determinado momento, Rafael tirou a roupa e ficou apenas de cueca.

Depois de se despir, o rapaz correu em direção à portaria do Iema. Neste momento, o portão estava aberto e ele teve facilidade para invadir o local. Um segurança ainda teria tentado impedi-lo de continuar, mas Rafael saiu correndo. ?Eu vi ele correndo e segundos depois escutei os tiros?, relatou o porteiro.

Rafael foi atingido por três tiros, sendo dois deles na barriga e um no pescoço. Segundo informações apuradas pela DHPP, Rafael partiu pra cima do vigilante após desobedecer a ordem de parada e que, por isso, o segurança atirou. O vigilante trabalha há 30 anos na área da segurança privada e está há um ano no Iema.

Investigação

A Polícia Civil disse por meio de nota que na ocasião, o vigilante foi ouvido e liberado, pois foi entendido, preliminarmente, que agiu em legítima defesa. A arma dele foi apreendida e passará por perícia. A Delegacia de Crimes Contra à Vida informou ainda que o inquérito policial encontra-se em fase de investigação.

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